O Mistério dos Monstrinhos da Névoa
Na beira da floresta encantada, havia uma clareira que ninguém visitava. Não porque fosse perigosa… mas porque uma névoa fina e prateada a cobria todas as manhãs. E dentro da névoa, diziam, moravam os monstrinhos.
Ninguém sabia dizer como eles eram. Uns falavam que tinham três olhos. Outros, que andavam de cabeça para baixo. A única certeza era que, ao entardecer, ouviam-se risadinhas abafadas saindo de dentro da neblina.
Lino, o esquilo mais curioso da floresta, resolveu investigar.
— Vou descobrir o que são esses monstrinhos — disse ele, inflando o peito.
— Cuidado, Lino — avisou Dona Coruja, piscando os olhos redondos. — Monstrinhos gostam de pregar peças.
Lino não se intimidou. No dia seguinte, bem cedinho, ele entrou na névoa.
A névoa era macia como algodão-doce. E cheirava a canela. Lino andou, andou… até que ouviu um barulho.
*Plic.*
Era uma gota? Não. Era um passinho miúdo.
*Plic. Plic. Plic.*
Lino parou. O barulho parou também.
— Tem alguém aí? — perguntou ele, com a voz trêmula.
Silêncio.
Então, bem aos seus pés, algo mexeu. Lino olhou para baixo e viu uma coisinha redonda, do tamanho de uma bolota. Ela tinha dois olhinhos verdes, bracinhos finos e um chapeuzinho de folha.
— Ah! — gritou Lino, pulando para trás.
— Ih! — gritou a coisinha, pulando também.
Os dois ficaram se encarando.
— Você é um… monstrinho? — perguntou Lino.
— Sou, sim — respondeu a criaturinha, com uma vozinha de guizo. — Me chamo Tiquinho. E você não devia estar aqui.
— Por quê?
— Porque hoje é dia do Sumiço. A névoa vai esconder tudo.
Lino arregalou os olhos.
— Esconder tudo? Até as árvores?
— Até as memórias — disse Tiquinho, sério. — Quem fica na névoa depois do sino do meio-dia… esquece o caminho de casa.
Lino sentiu um frio na ponta do rabo. Mas antes que pudesse correr, a névoa engrossou. Ficou mais espessa. Mais fria.
*Dlin-dlon.*
Um sino tocou ao longe.
— É agora! — sussurrou Tiquinho. — Segura na minha mão!
Lino obedeceu. A mão de Tiquinho era pequena, mas firme. E juntos, os dois começaram a andar.
A névoa se fechou ao redor deles. Lino não via mais nada. Só aquele bracinho fino segurando o seu.
— Não olhe para os lados — ordenou Tiquinho. — E não pare.
Lino ouviu outros passinhos. Muitos. *Plic. Plic. Plic.* Eram outros monstrinhos, saindo da névoa. Eles formaram uma roda, cantando baixinho:
*"Quem vem de fora, sem saber dançar, vai ficar na névoa sem nunca mais voltar."*
Lino apertou a mão de Tiquinho.
— É sério isso?
— Só se a gente parar — respondeu Tiquinho, puxando-o. — Vamos, falta pouco.
De repente, a névoa clareou. Lino viu o contorno de uma árvore. Depois, outra. E então, a clareira.
Ele estava de volta.
— Consegui! — gritou, aliviado.
Mas quando olhou para o lado, Tiquinho não estava mais lá. Em sua mão, Lino sentia algo. Abriu os dedos devagar.
Era um chapeuzinho de folha.
Lino guardou o chapeuzinho no buraco do tronco. Todas as manhãs, ele voltava à beira da névoa. Queria agradecer a Tiquinho.
Mas a névoa nunca mais apareceu.
E os monstrinhos… ninguém mais os viu. Até que, numa tarde de outono, Lino encontrou uma bolota estranha no chão. Ela tinha dois olhinhos verdes pintados a carvão.
E uma folha escrita:
*"Obrigado por não soltar a mão. — Tiquinho."*
Lino sorriu. Guardou a bolota perto do chapeuzinho.
E desde aquele dia, sempre que a névoa baixa sobre a floresta, ele deixa um pote de canela na clareira.
Porque, afinal, até monstrinhos gostam de um agrado.
E quem sabe… um dia… eles resolvem aparecer de novo.
Ninguém sabia dizer como eles eram. Uns falavam que tinham três olhos. Outros, que andavam de cabeça para baixo. A única certeza era que, ao entardecer, ouviam-se risadinhas abafadas saindo de dentro da neblina.
Lino, o esquilo mais curioso da floresta, resolveu investigar.
— Vou descobrir o que são esses monstrinhos — disse ele, inflando o peito.
— Cuidado, Lino — avisou Dona Coruja, piscando os olhos redondos. — Monstrinhos gostam de pregar peças.
Lino não se intimidou. No dia seguinte, bem cedinho, ele entrou na névoa.
A névoa era macia como algodão-doce. E cheirava a canela. Lino andou, andou… até que ouviu um barulho.
*Plic.*
Era uma gota? Não. Era um passinho miúdo.
*Plic. Plic. Plic.*
Lino parou. O barulho parou também.
— Tem alguém aí? — perguntou ele, com a voz trêmula.
Silêncio.
Então, bem aos seus pés, algo mexeu. Lino olhou para baixo e viu uma coisinha redonda, do tamanho de uma bolota. Ela tinha dois olhinhos verdes, bracinhos finos e um chapeuzinho de folha.
— Ah! — gritou Lino, pulando para trás.
— Ih! — gritou a coisinha, pulando também.
Os dois ficaram se encarando.
— Você é um… monstrinho? — perguntou Lino.
— Sou, sim — respondeu a criaturinha, com uma vozinha de guizo. — Me chamo Tiquinho. E você não devia estar aqui.
— Por quê?
— Porque hoje é dia do Sumiço. A névoa vai esconder tudo.
Lino arregalou os olhos.
— Esconder tudo? Até as árvores?
— Até as memórias — disse Tiquinho, sério. — Quem fica na névoa depois do sino do meio-dia… esquece o caminho de casa.
Lino sentiu um frio na ponta do rabo. Mas antes que pudesse correr, a névoa engrossou. Ficou mais espessa. Mais fria.
*Dlin-dlon.*
Um sino tocou ao longe.
— É agora! — sussurrou Tiquinho. — Segura na minha mão!
Lino obedeceu. A mão de Tiquinho era pequena, mas firme. E juntos, os dois começaram a andar.
A névoa se fechou ao redor deles. Lino não via mais nada. Só aquele bracinho fino segurando o seu.
— Não olhe para os lados — ordenou Tiquinho. — E não pare.
Lino ouviu outros passinhos. Muitos. *Plic. Plic. Plic.* Eram outros monstrinhos, saindo da névoa. Eles formaram uma roda, cantando baixinho:
*"Quem vem de fora, sem saber dançar, vai ficar na névoa sem nunca mais voltar."*
Lino apertou a mão de Tiquinho.
— É sério isso?
— Só se a gente parar — respondeu Tiquinho, puxando-o. — Vamos, falta pouco.
De repente, a névoa clareou. Lino viu o contorno de uma árvore. Depois, outra. E então, a clareira.
Ele estava de volta.
— Consegui! — gritou, aliviado.
Mas quando olhou para o lado, Tiquinho não estava mais lá. Em sua mão, Lino sentia algo. Abriu os dedos devagar.
Era um chapeuzinho de folha.
Lino guardou o chapeuzinho no buraco do tronco. Todas as manhãs, ele voltava à beira da névoa. Queria agradecer a Tiquinho.
Mas a névoa nunca mais apareceu.
E os monstrinhos… ninguém mais os viu. Até que, numa tarde de outono, Lino encontrou uma bolota estranha no chão. Ela tinha dois olhinhos verdes pintados a carvão.
E uma folha escrita:
*"Obrigado por não soltar a mão. — Tiquinho."*
Lino sorriu. Guardou a bolota perto do chapeuzinho.
E desde aquele dia, sempre que a névoa baixa sobre a floresta, ele deixa um pote de canela na clareira.
Porque, afinal, até monstrinhos gostam de um agrado.
E quem sabe… um dia… eles resolvem aparecer de novo.
Suspense leve para ouvir com a família.
Esta história foi criada para ser divertida e intrigante, sem causar medo ou trauma.