O Corredor que Mudava de Lugar
Quando a noite caía e a casa ficava em silêncio, uma coisa estranha acontecia no quarto de Lina.
A menina morava com seus pais em uma casinha antiga, cheia de cantos e recantos. No seu quarto, havia um guarda-roupa de madeira escura. Era grande, com duas portas na frente e uma portinha nos fundos.
Ninguém sabia para onde aquela portinha levava.
— É só um vão entre as paredes — disse o pai, um dia.
— Deve dar para o sótão — completou a mãe.
Mas Lina sabia que não era bem assim.
Toda noite, quando o relógio da sala batia dez horas, a portinha dos fundos do guarda-roupa fazia um barulho. *Plim*. Como uma campainha suave.
Na primeira noite, Lina achou que tinha sonhado.
Na segunda, sentou na cama e olhou fixo para a porta.
Na terceira, não aguentou mais a curiosidade.
Ela abriu a porta da frente do guarda-roupa. Passou por entre os casacos. Colocou a mão na maçaneta da portinha dos fundos. A madeira era fria.
*Plim.*
O barulho veio de dentro.
Lina girou a maçaneta. A porta se abriu lentamente. E lá estava um corredor.
Não o vão entre as paredes. Não o sótão.
Era um corredor comprido, com paredes de papel de parede azul claro. No chão, um tapete vermelho. E, penduradas no teto, luminárias em forma de estrela.
Lina deu um passo. O corredor cheirava a biscoito de baunilha.
Ela andou um pouco. O corredor tinha portas. Muitas portas. Uma verde, uma amarela, uma listrada.
Lina não abriu nenhuma. Ainda não.
Ela só queria ver até onde ia.
Mas, de repente, o corredor terminou. Não em uma parede. Não em uma porta. Ele simplesmente se curvou para a direita e desapareceu.
Lina parou. Sentiu um frio na nuca. Não de medo. De curiosidade.
Ela voltou para o quarto. Fechou a portinha. Fechou a porta do guarda-roupa. Deitou na cama.
No dia seguinte, contou para a mãe.
— Mãe, o guarda-roupa tem um corredor atrás.
— Que bom, querida — disse a mãe, enquanto mexia a sopa.
— E ele tem cheiro de biscoito.
— Hum, que delícia.
A mãe não acreditou. Mas tudo bem. Lina sabia a verdade.
Naquela noite, ela esperou o relógio bater dez horas.
*Plim.*
Abriu o guarda-roupa. Abriu a portinha.
O corredor estava diferente.
O papel de parede agora era verde. O tapete era amarelo. E as luminárias tinham formato de lua.
Lina deu um passo. Depois outro.
Dessa vez, o corredor era mais comprido. Ela viu uma porta que não tinha visto antes: uma porta roxa, com uma maçaneta brilhante.
Ela esticou a mão.
Mas, antes de tocar, ouviu um som.
*Tic-tac. Tic-tac.*
Era um relógio. Mas não o da sala.
O som vinha de trás da porta roxa.
Lina prendeu a respiração. Colocou o ouvido na madeira.
*Tic-tac. Tic-tac.*
E, bem baixinho, misturado com o tic-tac, uma voz sussurrou:
— Volte amanhã. Ainda não é hora.
Lina afastou o rosto. O coração batia acelerado, mas não de susto. Era uma sensação gostosa, como quando se espera um presente.
Ela obedeceu. Fechou a portinha. Fechou o guarda-roupa. Deitou na cama.
E, enquanto o sono vinha, ela pensou: *O que será que tem atrás da porta roxa?*
O relógio da sala bateu onze horas.
Lina sorriu no escuro.
Amanhã ela voltaria. E, quem sabe, descobriria.
Porque o corredor dos fundos do guarda-roupa não levava a lugar nenhum. Ele levava a um lugar diferente a cada noite.
E essa era a melhor parte.
A menina morava com seus pais em uma casinha antiga, cheia de cantos e recantos. No seu quarto, havia um guarda-roupa de madeira escura. Era grande, com duas portas na frente e uma portinha nos fundos.
Ninguém sabia para onde aquela portinha levava.
— É só um vão entre as paredes — disse o pai, um dia.
— Deve dar para o sótão — completou a mãe.
Mas Lina sabia que não era bem assim.
Toda noite, quando o relógio da sala batia dez horas, a portinha dos fundos do guarda-roupa fazia um barulho. *Plim*. Como uma campainha suave.
Na primeira noite, Lina achou que tinha sonhado.
Na segunda, sentou na cama e olhou fixo para a porta.
Na terceira, não aguentou mais a curiosidade.
Ela abriu a porta da frente do guarda-roupa. Passou por entre os casacos. Colocou a mão na maçaneta da portinha dos fundos. A madeira era fria.
*Plim.*
O barulho veio de dentro.
Lina girou a maçaneta. A porta se abriu lentamente. E lá estava um corredor.
Não o vão entre as paredes. Não o sótão.
Era um corredor comprido, com paredes de papel de parede azul claro. No chão, um tapete vermelho. E, penduradas no teto, luminárias em forma de estrela.
Lina deu um passo. O corredor cheirava a biscoito de baunilha.
Ela andou um pouco. O corredor tinha portas. Muitas portas. Uma verde, uma amarela, uma listrada.
Lina não abriu nenhuma. Ainda não.
Ela só queria ver até onde ia.
Mas, de repente, o corredor terminou. Não em uma parede. Não em uma porta. Ele simplesmente se curvou para a direita e desapareceu.
Lina parou. Sentiu um frio na nuca. Não de medo. De curiosidade.
Ela voltou para o quarto. Fechou a portinha. Fechou a porta do guarda-roupa. Deitou na cama.
No dia seguinte, contou para a mãe.
— Mãe, o guarda-roupa tem um corredor atrás.
— Que bom, querida — disse a mãe, enquanto mexia a sopa.
— E ele tem cheiro de biscoito.
— Hum, que delícia.
A mãe não acreditou. Mas tudo bem. Lina sabia a verdade.
Naquela noite, ela esperou o relógio bater dez horas.
*Plim.*
Abriu o guarda-roupa. Abriu a portinha.
O corredor estava diferente.
O papel de parede agora era verde. O tapete era amarelo. E as luminárias tinham formato de lua.
Lina deu um passo. Depois outro.
Dessa vez, o corredor era mais comprido. Ela viu uma porta que não tinha visto antes: uma porta roxa, com uma maçaneta brilhante.
Ela esticou a mão.
Mas, antes de tocar, ouviu um som.
*Tic-tac. Tic-tac.*
Era um relógio. Mas não o da sala.
O som vinha de trás da porta roxa.
Lina prendeu a respiração. Colocou o ouvido na madeira.
*Tic-tac. Tic-tac.*
E, bem baixinho, misturado com o tic-tac, uma voz sussurrou:
— Volte amanhã. Ainda não é hora.
Lina afastou o rosto. O coração batia acelerado, mas não de susto. Era uma sensação gostosa, como quando se espera um presente.
Ela obedeceu. Fechou a portinha. Fechou o guarda-roupa. Deitou na cama.
E, enquanto o sono vinha, ela pensou: *O que será que tem atrás da porta roxa?*
O relógio da sala bateu onze horas.
Lina sorriu no escuro.
Amanhã ela voltaria. E, quem sabe, descobriria.
Porque o corredor dos fundos do guarda-roupa não levava a lugar nenhum. Ele levava a um lugar diferente a cada noite.
E essa era a melhor parte.
Suspense leve para ouvir com a família.
Esta história foi criada para ser divertida e intrigante, sem causar medo ou trauma.