Histórias para dormir

A Nuvem que Veio Buscar um Sonho Pesado

Era uma vez uma noite diferente das outras.

O céu estava limpo, cheio de estrelas. Mas, lá longe, no horizonte, uma nuvem se mexia sozinha.

Ela não era igual às outras nuvens.

Era redonda, macia, e brilhava com uma luz azulada bem fraquinha. Parecia uma almofada flutuante. E vinha descendo.

Lá embaixo, no quarto do fundo da casa, o menino Benjamin não conseguia dormir. Ele tinha um sonho pesado guardado dentro do peito. Um sonho que doía. Um sonho que não deixava ele respirar direito.

— Não quero dormir — ele sussurrou para o travesseiro. — Senão o sonho volta.

Mas seus olhos já estavam ficando pesados.

Foi quando algo estranho aconteceu.

A janela do quarto não estava aberta. Mas a cortina se mexeu. E uma luz azulada entrou devagar.

Benjamin arregalou os olhos.

Parecia neblina. Mas não era fria. Era morna, cheirosa, como algodão doce de baunilha.

E dentro da neblina, uma voz falou.

Não era uma voz de gente. Era uma voz de vento. De pluma. De coisa macia.

— Benjamin... eu vim buscar o seu sonho pesado.

O menino se sentou na cama.

— Quem é você?

— Sou uma nuvem especial. Eu carrego sonhos que as crianças não querem mais.

Benjamin franziu a testa.

— Mas como você sabe que eu tenho um?

A nuvem boiou mais perto. Ela não tinha olhos, mas Benjamin sentia que ela estava olhando para ele com carinho.

— Porque você está apertando o peito. E porque seu travesseiro está molhado de lágrimas secretas.

Benjamin engoliu em seco.

— É um sonho de um lugar escuro. Com portas que não abrem.

A nuvem balançou, como se acenasse.

— Eu sei. Eu vi de longe. Esses sonhos ficam pesados demais para uma criança carregar sozinha.

Ela boiou até ficar bem na frente do rosto de Benjamin.

— Me dá esse sonho. Eu levo para bem longe. Lá em cima, onde o vento dissolve as coisas ruins.

Benjamin hesitou.

— Como eu dou?

— É só fechar os olhos. E imaginar o sonho saindo do seu peito. Como se fosse um balão.

O menino obedeceu.

Fechou os olhos. Respirou fundo. E pensou no sonho pesado.

Na hora, sentiu uma coisa estranha. Uma coisa quente subindo pela garganta. Depois pelo nariz. Depois pelos olhos.

Ele abriu a boca.

E uma fumacinha cinzenta saiu.

Ela subiu, subiu, e foi parar dentro da nuvem.

A nuvem brilhou mais forte por um segundo.

— Pronto — ela disse, com a voz mais macia ainda. — Já está leve.

Benjamin abriu os olhos.

Ele se sentia diferente. Mais leve. Como se tivesse tirado um casaco muito pesado.

— E agora? — perguntou.

— Agora você dorme. E sonha com nuvens.

A nuvem começou a boiar de volta para a janela.

— Mas... e se o sonho pesado voltar? — Benjamin perguntou, com medo.

A nuvem parou. Flutuou de volta. E encostou bem de leve na testa do menino.

Foi um toque frio e gostoso. Como um gelinho de hortelã.

— Se ele voltar, é só chamar por mim. Eu sempre escuto.

— Como eu chamo?

— Assovia bem baixinho. Para o alto.

E então a nuvem passou pela janela como se fosse fumaça.

Benjamin correu para ver.

Lá fora, a nuvem azulada subia devagar. E, por um instante, ele jurou que viu um sorriso desenhado nela.

Ele deitou de novo.

O quarto estava escuro. Mas não assustava mais.

O travesseiro estava seco.

E, pela primeira vez em muitas noites, Benjamin fechou os olhos e deixou o sono chegar.

E sabem o que ele sonhou?

Com uma nuvem.

Que dançava no céu.

E assoviava bem baixinho.

Para ele.
Suspense leve para ouvir com a família. Esta história foi criada para ser divertida e intrigante, sem causar medo ou trauma.