Casas antigas

A Casa que Piscava

Lá no final da Rua dos Cedros, havia uma casa.

Não era uma casa qualquer. Era uma casa antiga, muito antiga, com paredes de pedra cobertas de musgo e uma varanda que rangia sozinha, mesmo quando não ventava.

As crianças do bairro diziam que lá morava um fantasma.

Mas ninguém nunca tinha visto nada.

Só que, todas as noites, uma luz acendia e apagava no sótão.

Pisca.

Pisca.

Pisca.

Como se alguém estivesse mandando um sinal.



Léo, um menino de oito anos que adorava mistérios, observava a casa da janela do seu quarto toda noite.

— Mamãe, quem mora ali? — perguntou.

— Dizem que é o Seu Nestor. Mas ele é muito calado. Ninguém nunca o vê.

— Então como sabem que ele existe?

A mãe sorriu.

— Porque às vezes a luz acende.



Numa tarde de sábado, Léo resolveu investigar.

Ele andou pela calçada até o portão de ferro, que estava entreaberto. O jardim estava cheio de mato alto e flores que exalavam um cheiro doce de baunilha.

Ele empurrou o portão.

Ele rangeu.

E ele entrou.



A varanda era fria. Os degraus de madeira estavam gastos, como se muitos pés tivessem subido ali, há muito tempo.

Léo chegou perto da porta.

Ela estava entreaberta.

Ele ouviu um barulho.

Plim.

Era um som fino, como uma gota caindo numa bacia.

Plim.

Plim.

Ele empurrou a porta devagar.



Lá dentro, a casa estava escura. Mas não era um escuro assustador. Era um escuro macio, como um cobertor cinza.

Havia móveis cobertos com lençóis brancos. Eles pareciam fantasmas quietos, esperando alguém descobrir o que escondiam.

Léo andou na ponta dos pés.

O som vinha de cima.

Plim.

Ele subiu a escada. Cada degrau estalava.

— Tem alguém aí? — ele perguntou, com a voz tremendo.

Ninguém respondeu.

Mas o som continuou.



O sótão estava no fim do corredor.

A porta estava aberta.

Léo viu uma luz fraca pulsando.

Ele respirou fundo.

E espiou.



Lá dentro, não havia fantasma.

Não havia monstro.

Havia um homem velho, sentado numa cadeira de balanço, com um lampião a querosene na mão.

Ele estava acendendo e apagando o lampião.

Pisca.

Pisca.

Pisca.

— Ah, você veio — disse o velho, sem se virar. — Já era hora.

Léo engoliu seco.

— O senhor é o Seu Nestor?

O velho balançou a cabeça.

— Não. Sou o guardião.

Ele virou o lampião para o lado, e Léo viu, na parede, dezenas de desenhos.

Desenhos de crianças.

Com datas.

— O que é isso? — perguntou Léo.

O velho sorriu.

— Cada luz que eu acendo é um pedido de alguém que precisa de ajuda. Um desejo. Um segredo. Eu guardo todos aqui, neste sótão. E quando a luz pisca, é porque alguém está pensando em você.

Léo sentiu um arrepio gostoso.

— Em mim?

O velho apontou para o canto.

Lá, num pedaço de papel amassado, estava escrito:

*“Queria que alguém viesse me visitar.”*

E a data era de ontem.



Léo olhou para o velho.

— Quem escreveu isso?

O velho deu de ombros.

— Alguém que estava sozinho. Alguém que esperava.

Léo respirou fundo.

— Posso ajudar?

O velho entregou o lampião para ele.

— Então acenda. E não apague até amanhã.



Léo pegou o lampião.

A chama tremia, mas não se apagava.

Ele sentiu o calor nas mãos.

E entendeu.

A casa não era assombrada.

Ela apenas esperava.

E agora, ele era o guardião.



Naquela noite, lá do outro lado da rua, a luz no sótão não piscou.

Ela ficou acesa.

Acesa a noite inteira.

E no dia seguinte, quando Léo voltou, a porta estava aberta.

E no chão, um novo bilhete:

*“Obrigado.”*
Suspense leve para ouvir com a família. Esta história foi criada para ser divertida e intrigante, sem causar medo ou trauma.