O Gato Preto da Rua das Sombras
Na Rua das Sombras, todas as casas tinham varandas floridas.
Mas uma delas, não.
A casa número 37 era cinzenta, com vidros embaçados e uma porta que nunca se abria.
E, todas as noites, bem na janela do segundo andar, aparecia um gato preto.
Não um gato comum.
Ele era grande, magro, e seus olhos brilhavam como duas luas amarelas.
As crianças do bairro tinham medo.
— Dizem que ele some no ar — cochichava Pedro.
— Eu vi ele andar de lado, igual caranguejo — jurava Lúcia.
— E ele não mia, ele… chia — completava Beto, fazendo cara de mistério.
Ninguém chegava perto.
Até que, numa tarde nublada, a bola de futebol de Clara caiu no jardim da casa 37.
Ela parou na calçada, olhando o portão de ferro.
— Não vai, não — pediu a irmã mais nova.
Mas Clara respirou fundo e abriu o portão.
Ele rangeu.
O jardim estava cheio de mato seco.
E, de repente, o gato apareceu.
Sentado no batente da porta.
Olhando fixo para ela.
Clara congelou.
O gato não se mexeu.
Ela deu um passo.
Ele virou a cabeça, devagar.
Ela deu outro passo.
Ele abriu a boca.
Mas não saiu miado.
Saiu um som baixinho: *prrrr*.
Um ronronar.
Clara franziu a testa.
— Você não é assustador coisa nenhuma — murmurou.
O gato piscou lentamente.
Ela pegou a bola.
Mas, ao se virar, ouviu um barulho.
*Toc, toc, toc.*
Era o gato, batendo a pata na porta de madeira.
Ele queria que ela visse alguma coisa.
Clara hesitou.
Mas a curiosidade era maior.
Ela se aproximou.
O gato saltou para o trinco da janela baixa, do lado da porta.
A janela estava entreaberta.
Ele enfiou a pata e empurrou.
A janela abriu.
Dentro, estava escuro.
Muito escuro.
Mas no chão, havia alguma coisa brilhando.
Uma chave.
Uma chave dourada, pequena, com um laço vermelho.
Clara olhou para o gato.
Ele sentou, calmo, e *prrrr* de novo.
— Isso é para mim? — perguntou ela, sem acreditar.
O gato virou as costas e andou para dentro da casa.
E sumiu na escuridão.
Clara esticou o braço.
Pegou a chave.
Ela era leve, morna.
Como se alguém tivesse segurado ela até segundos atrás.
E, naquele instante, Clara sentiu que não estava sozinha.
Não era o gato.
Era outra presença.
Algo gentil, que observava da sombra.
E que, de repente, sussurrou:
— Guarde bem. Um dia você vai precisar.
Clara não viu ninguém.
Mas ouviu.
E, quando olhou de novo para a janela, o gato preto estava lá.
Dessa vez, ele não parecia assustador.
Parecia um guardião.
Ela guardou a chave no bolso.
Fechou a janela.
E saiu correndo, mas com um sorriso no rosto.
Naquela noite, ela contou tudo para os amigos.
Ninguém acreditou.
Até que, na noite seguinte, o gato apareceu de novo na janela.
Só que, dessa vez, ele não estava sozinho.
Ao lado dele, havia outro gato.
Um gato branco.
Com olhos azuis.
E no pescoço, um laço vermelho igual ao da chave.
E, bem devagar, os dois gatos viraram a cabeça.
Olharam para Clara.
E piscaram.
Juntos.
Como se dissessem:
*O mistério só está começando.*
Mas uma delas, não.
A casa número 37 era cinzenta, com vidros embaçados e uma porta que nunca se abria.
E, todas as noites, bem na janela do segundo andar, aparecia um gato preto.
Não um gato comum.
Ele era grande, magro, e seus olhos brilhavam como duas luas amarelas.
As crianças do bairro tinham medo.
— Dizem que ele some no ar — cochichava Pedro.
— Eu vi ele andar de lado, igual caranguejo — jurava Lúcia.
— E ele não mia, ele… chia — completava Beto, fazendo cara de mistério.
Ninguém chegava perto.
Até que, numa tarde nublada, a bola de futebol de Clara caiu no jardim da casa 37.
Ela parou na calçada, olhando o portão de ferro.
— Não vai, não — pediu a irmã mais nova.
Mas Clara respirou fundo e abriu o portão.
Ele rangeu.
O jardim estava cheio de mato seco.
E, de repente, o gato apareceu.
Sentado no batente da porta.
Olhando fixo para ela.
Clara congelou.
O gato não se mexeu.
Ela deu um passo.
Ele virou a cabeça, devagar.
Ela deu outro passo.
Ele abriu a boca.
Mas não saiu miado.
Saiu um som baixinho: *prrrr*.
Um ronronar.
Clara franziu a testa.
— Você não é assustador coisa nenhuma — murmurou.
O gato piscou lentamente.
Ela pegou a bola.
Mas, ao se virar, ouviu um barulho.
*Toc, toc, toc.*
Era o gato, batendo a pata na porta de madeira.
Ele queria que ela visse alguma coisa.
Clara hesitou.
Mas a curiosidade era maior.
Ela se aproximou.
O gato saltou para o trinco da janela baixa, do lado da porta.
A janela estava entreaberta.
Ele enfiou a pata e empurrou.
A janela abriu.
Dentro, estava escuro.
Muito escuro.
Mas no chão, havia alguma coisa brilhando.
Uma chave.
Uma chave dourada, pequena, com um laço vermelho.
Clara olhou para o gato.
Ele sentou, calmo, e *prrrr* de novo.
— Isso é para mim? — perguntou ela, sem acreditar.
O gato virou as costas e andou para dentro da casa.
E sumiu na escuridão.
Clara esticou o braço.
Pegou a chave.
Ela era leve, morna.
Como se alguém tivesse segurado ela até segundos atrás.
E, naquele instante, Clara sentiu que não estava sozinha.
Não era o gato.
Era outra presença.
Algo gentil, que observava da sombra.
E que, de repente, sussurrou:
— Guarde bem. Um dia você vai precisar.
Clara não viu ninguém.
Mas ouviu.
E, quando olhou de novo para a janela, o gato preto estava lá.
Dessa vez, ele não parecia assustador.
Parecia um guardião.
Ela guardou a chave no bolso.
Fechou a janela.
E saiu correndo, mas com um sorriso no rosto.
Naquela noite, ela contou tudo para os amigos.
Ninguém acreditou.
Até que, na noite seguinte, o gato apareceu de novo na janela.
Só que, dessa vez, ele não estava sozinho.
Ao lado dele, havia outro gato.
Um gato branco.
Com olhos azuis.
E no pescoço, um laço vermelho igual ao da chave.
E, bem devagar, os dois gatos viraram a cabeça.
Olharam para Clara.
E piscaram.
Juntos.
Como se dissessem:
*O mistério só está começando.*
Suspense leve para ouvir com a família.
Esta história foi criada para ser divertida e intrigante, sem causar medo ou trauma.